Artes Manuais

ARTES MANUAIS
Os benefícios que o trabalho manual proporciona

As artes manuais nas escolas brasileiras já foram encaradas e compreendidas de diferentes formas. Atualmente, são inegáveis as contribuições que o trabalho manual traz para o desenvolvimento humano e, por isso, são vistas como necessárias para as práticas de aprendizagem. Trabalhar com as mãos desenvolve não só habilidades motoras, mas psíquicas, emocionais e relacionais.

O trabalho manual propicia um vínculo real, concreto, entre o mundo interno da criança e o mundo externo. Usar um fio de lã para tricotar, por exemplo, exige que a criança observe alguém fazendo tricô, disponha-se a aprender, dedique-se, persevere, desenvolva uma noção das suas capacidades (aquilo que consegue ou não fazer), supere-se e que, por fim, crie e dê forma a um novo objeto; afinal, o fio de lã tornou-se outra coisa depois de ter passado por suas mãos…

Graças aos movimentos rítmicos e repetitivos presentes em atividades manuais como essa, certas habilidades mentais são fortalecidas, pois a coordenação e a motricidade fina são intensamente desenvolvidas em um constante fluxo, que vai do pensar para as mãos e, destas, para o pensar. Podemos, até mesmo, afirmar que aquilo que é produzido não é, exatamente, o objetivo da atividade manual, mas, sim, o processo de aprendizado que se vivencia. Além disso, os trabalhos manuais envolvem uma atividade rítmica que gera harmonia, relaxamento e concentração. Os ganhos são, portanto, inúmeros.

Outro aspecto muito importante é o resgate cultural trazido pelo engajamento em atividades artesanais. A importância de tal resgate vai se revelando, quando nos lembramos da mudança radical trazida pelo mundo industrial: com este, objetos que eram produzidos de forma artesanal passaram a ser produzidos de maneira industrial. Com o crescimento do setor industrial, as artes manuais e o trabalho artesanal foram perdendo a sua importância, já que uma nova forma de produzir se instaurou. Uma das decorrências disso é o fato de que as novas gerações perderam a noção de que, para se fazer algo, há um processo com início, meio e fim. Quando se entende esse processo, vê-se, por exemplo, como a matéria prima é coletada, selecionada e como chega ao ponto de ser utilizada. Com o entendimento de tudo isso, ressurgem perguntas importantes, como “de onde vem isso?” ou “como isso foi feito?” São perguntas necessárias para o entendimento do funcionamento do mundo. Mais do isso: são perguntas que sinalizam para novas perguntas e novas respostas, que, se bem inspiradas e conduzidas, podem transformar o nosso mundo.

Participar, assim, de todo o processo de feitura, por exemplo, de um brinquedo, um móvel, uma roupa ou, até mesmo, de uma casa desperta uma consciência mais abrangente de como as coisas são feitas e, mais do que isso, desperta a consciência fundamental a respeito do fato de que é possível fazê-las. Incentivar crianças e jovens a experimentarem as mãos para criar algo proporciona um sentimento de pertencimento ao mundo. Ou seja, criando, produzindo algo por meio de suas próprias habilidades, a criança e o adolescente sentem-se úteis e capazes. Constrói-se, assim, a sua “autoconfiança, responsabilidade, perseverança, independência, concentração, além de trabalhar o senso estético, motricidade fina, raciocínio lógico, criatividade e sociabilidade”¹. Por isso, mãos à obra!

Referências:

¹CAMINI, Beth. A importância dos trabalhos manuais na pedagogia Waldorf e suas aplicações no segundo setênio. Disponível em http://www.colegiorudolfsteiner.com.br/wp-content/uploads/2017/05/37-a-import%C3%A2ncia-dos-trabalhos-manuais-na-pedagogia-waldorf.pdf

 

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