Transtornos Alimentares

TRANSTORNOS ALIMENTARES
Precisamos falar sobre isso

Quando se fala em transtornos alimentares, é muito comum vir à mente a bulimia e a anorexia. No entanto, existem outros padrões de comportamento alimentar nocivos ao organismo, como Transtorno de Compulsão Alimentar, Hipergafia, Ortorexa, Transtorno da Compulsão Alimentar Periódica, dentre outros. Os distúrbios são comuns na puberdade, adolescência e no início da vida adulta. Estão sempre relacionados a uma série de questões psicológicas, como  ansiedade, baixa autoestima, distorções sobre a autoimagem, dentre outros sofrimentos psíquicos.

Uma pesquisa realizada pela Associação Americana de Psiquiatria declarou que cerca de um por cento da população mundial sofre de transtornos alimentares – cerca de 70 milhões de pessoas. Em sua maioria, meninas e mulheres. Dentre os fatores apontados como principal causa, está a pressão do ilusório “corpo perfeito”. Estampado em capas de revistas, em personagens da televisão, em cantoras, atrizes e jornalistas, o corpo magro e esguio é cultuado, e qualquer desvio desse padrão de beleza é execrado, subestimado.

Durante a transição da infância para a adolescência, as garotas sofrem grandes transformações biológicas e psicológicas. Os hormônios alteram-se, o corpo transforma-se, a maturidade sexual aproxima-se e conseguir equilibrar esses fatores para manter o equilíbrio emocional é desafiador. As meninas e os meninos sofrem muita pressão da sociedade para que seus corpos – que estão em completa transformação – fiquem adequados à beleza imposta pelos padrões da moda e do mercado. Por isso, é muito raro encontrar uma adolescente que se sinta bem com o próprio corpo. Como a pressão externa e interna para a adequação ao mundo é muito grande, a possibilidade de que os jovens desenvolvam patologias é alta. Comer transforma-se em motivo de culpa e/ou de alívio da ansiedade… Os distúrbios desenvolvem-se, e o sofrimento também aumenta. Por isso tudo é importante a família se antecipar: acolher e cuidar os jovens, desde os primeiros indícios de distorção da autoimagem e da autoestima.

Além do contexto sociocultural de extrema valorização do corpo magro e padronizado, existem múltiplos fatores que influenciam o desenvolvimento dessas patologias, como disfunções no metabolismo da serotonina e da noradrenalina, histórico de transtornos alimentares e de humor na família, assim como o sofrimento psíquico gerado por famílias autoritárias e/ou negligentes.

Existem, contudo, diversas opções de tratamentos. Os mais eficazes são multidisciplinares, com acompanhamento médico, nutricional e psicológico, de maneira a garantir um equilíbrio fisiológico e emocional. Existem também abordagens medicamentosas com psicotrópicos, como antidepressivos e topiramato, que auxiliam na diminuição ou na interrupção da evolução dos sintomas e a conter patologias associadas; os remédios psiquiátricos, no entanto, têm eficácia significantemente menor (20% do desaparecimento dos sintomas). Além disso, é importante considerar os efeitos colaterais dos remédios. Os antidepressivos, por exemplo, ajudam a aplacar a angústia, mas, ao mesmo tempo, podem causar ganho ou perda de peso. Nesse sentido, as psicoterapias são as mais recomendadas, já que são capazes de diminuir 39% dos sintomas a curto prazo. Os pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro e da Universidade Federal de São Paulo José Carlos Appolinário e Angélica Claudino realizaram, no ano 2000, um trabalho sobre transtornos alimentares o qual concluiu que uma abordagem multidisciplinar de tratamento leva ao desaparecimento dos sintomas em 49% dos casos.

A transição para a vida adulta gera inúmeros desconfortos e inseguranças, por isso um ambiente acolhedor é fundamental nesse processo. Tanto a família quanto a escola têm inúmeras possibilidades de garantir que portadores de distúrbios alimentares sejam acompanhados e cuidados no processo de diagnóstico e de tratamento. É preciso estar atento aos sinais, por vezes silenciosos, de adolescentes e de adultos que sofrem com essas patologias. Os tratamentos são eficazes e a qualidade de vida dessas pessoas tem grandes chances de ser restabelecida.

Referências:

Appolinário JC & Claudino AM . Transtornos alimentares.  Rev Bras Psiquiatr 2000;22(Supl II):28-31

 

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