Autoestima e Autoaceitação

AUTOESTIMA E AUTOACEITAÇÃO
Caminhos possíveis para um desenvolvimento saudável

No processo de desenvolvimento de uma criança ou de um adolescente, não é possível obter garantias – de sucesso, de felicidade, de saúde. A verdade é que não é possível ter controle sobre a vida do outro, seja filho(a), companheiro(a), aluno(a), colega. O que é possível, nesses casos, é oferecer possibilidades, influenciar, acompanhar as crianças e os adolescentes – e, até mesmo, os adultos – em seus caminhos de autorrealização. Do ponto de vista subjetivo, uma autoestima positiva é fator fundamental para uma vida satisfatória, para a autorrealização.

A autoestima reflete o julgamento que fazemos de nós mesmos diante do quanto nos sentimos capazes de lidar com os desafios da vida e do quanto nos sentimos merecedores da felicidade. Relaciona-se à nossa capacidade de compreender, de respeitar e de defender as próprias necessidades. Nesse sentido, tem dois componentes: o sentimento de competência pessoal e o sentimento de valor pessoal. Ter uma autoestima elevada é, portanto, sentir-se confiante e adequado à vida; já ter uma autoestima média é sentir-se entre adequado e inadequado, capaz e incapaz, conforme as circunstâncias, o que reforça um padrão de incerteza.

No processo de crescimento, diversos sofrimentos com relação a si mesmo podem se desenvolver, tais como inadequação, culpa, medo, dúvida e insegurança. Nem sempre eles são perceptíveis aos olhos dos adultos, mas existem. É possível alguém nunca chegar a uma visão feliz de si mesmo, tanto por conta das informações negativas vindas dos outros – como a depreciação –, quanto pelo fato de a criança ou adolescente já ter introjetado e desenvolvido uma visão distorcida sobre as próprias capacidades. É um ciclo que se retroalimenta: a pessoa recebe críticas excessivas, entende isso como rejeição e incorpora o olhar do adulto para si, tornando-se crítica e pouco compreensiva consigo mesma. É um caminho violento e tortuoso que vai na contramão de uma vida satisfatória.

O organismo humano, no entanto, possui alta capacidade de transformação e de melhora – sempre tende ao equilíbrio. Ainda que o estado psicológico de uma pessoa esteja afetado, é possível (ainda que com algum custo) desenvolver e aprimorar a autoestima. Trata-se de ressignificar a si mesmo e de expandir a capacidade de ser feliz – desenvolvendo-se, assim, a convicção de que somos capazes de viver e de que somos merecedores da felicidade.

Quanto mais equilibrada a visão e compreensão de si, maior a autoaceitação e a confiança. Quanto mais equilibrada for a autoimagem, maior a chance de lidar com as adversidades da vida, os desafios cotidianos, as oportunidades de desenvolvimento pessoal e profissional – ou seja, maiores são as possibilidades de autorrealização.

Conforme tenhamos sido encorajados, amados e valorizados a confiar em nós mesmos quando crianças, maior ou menor será nossa noção de autoconfiança e de autoconsideração. Se a primeira infância, no entanto, foi marcada pela incerteza e pela confusão, não necessariamente sua vida adulta terá essas mesmas marcas, pois as pessoas são capazes de se refazer, de se recriar. Desenvolver autoestima positiva e a autoaceitação depende de uma postura cuidadosa com o próprio sujeito, de maneira a compreender as necessidades que expressa por meio de suas ações e de seus discursos, que, às vezes, podem ter marcas de agressividade. Quem tem a oportunidade de acompanhar o desenvolvimento de uma pessoa não tem o poder de criar no outro autoestima e autoaceitação, mas pode cumprir a importante tarefa de compreender e apoiar suas escolhas, suportar suas dificuldades e celebrar suas vitórias. 

Referências:

FREIRE, Teresa. TAVARES, Dionísia. Influencia da autoestima, da regulação emocional e do gênero no bem-estar subjetivo e psicológico de adolescentes. Revista de Psiquiatria Clínica, 2010.

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